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III
Irei enlouquecer?


Minh’alma tem seu segredo, seu mistério a minha vida.
Minha dor é sem remédio; por isso a tenho escondida.


Arvers
Quanto mais eu refletia, mais me convencia de que o doutor tinha razão; e o horror e o medo me privavam quase dos sentidos.

Embora já contasse catorze anos de idade, eu era em certos sentidos uma criança. Educada, como o fora, quase isolada das outras meninas estranhas ao círculo da minha família, e raramente admitida na sociedade de seus membros mais idosos, tinha crescido ignorando completamente muitas coisas que discutem entre si as crianças da mesma idade; e, nessa perturbação, eu não tinha quem me socorresse e aconselhasse.

Meu pai estava longe e minha avó, que era muito boa, vivia em sua própria casa ou visitava os seus outros filhos.

Restava a velha criada, mas eu sentia, às vezes, repugnância em fazer-lhe confidências, porque, se eu estava realmente louca, era preciso ocultá-lo o mais possível, e não queria que alguém conhecesse as ilusões de que eu era vítima. Perguntava a mim mesma se havia medicamentos para curar a loucura e se o doutor podia auxiliar-me de algum modo. Talvez que houvesse nos meus olhos alguma coisa de singular, porque me recordava, com medo, de que, todas as vezes que eu, voluntária ou involuntariamente, havia tentado tocar nos meus amigos fantasmas, quando eles passavam, minha mão não experimentava impressão alguma de contato, e ainda notara que eles recuavam para não serem tocados. Por causa disso eu lhes chamava sombras; mas, até então pouco pensava nisso. Agora perguntava a mim mesma se meus olhos não me enganavam; e esse pensamento me era mais grato que o de vir a enlouquecer; mas, este me obcecava noite e dia. Recordava-me de ter ouvido uma criada dizer que uma das práticas nos hospitais de doidos era fazer cócegas nos pés dos pacientes; ela dizia ter lido isso em um livro intitulado Valentine Vox. Eu não podia suportar cócegas nos pés; mas, talvez que me não risse tanto, se o emprego desse meio fosse prolongado. Perguntava a mim mesma se a vida dos loucos era longa. Receava isso, lembrando-me de um velho que parava às vezes na nossa vizinhança, mendigando e vendendo cabides de roupa, e que uma vez, parando em frente da criada, a assustara com as suas pragas e terríveis maldições. Ela lhe chamara louco. Desejaria saber se algum dia me assemelharia a ele, se aprenderia a praguejar e traria, como ele, um rosto sujo e cabelos mal penteados. Era preferível ser encerrada num hospital de doidos.

Todos os horrores que ouvira dizer acerca desses estabelecimentos me vieram à mente antes de adormecer, na noite que se seguiu à minha conversação com o doutor, e resolvi ocultar meu estado a todos, por tanto tempo quanto me fosse possível. Se eu estivesse louca, pelo menos ninguém o saberia, e talvez que o mal fosse curável, visto eu não ser sempre afetada.

De quando em quando os fantasmas desapareciam durante meses e só voltavam quando eu me achava só ou indisposta para o trabalho e o estudo; eu saudava-os então com alegria.

Desde esse dia tudo mudou; a minha satisfação em ver os fantasmas passarem rapidamente diante de mim e cruzarem comigo nas escadas cedeu lugar a um sentimento humilhante, de medo e desolação. Eu não tinha mais motivos de alegrar-me agora, ao ver essas formas familiares; pois que isso era então somente uma prova de que a minha enfermidade não me havia abandonado.

Veio-me depois outra idéia. Era Satanás quem forçava meus olhos a verem coisas que não existiam.

Isto lançou uma nova luz sobre a questão; eu me achava quase contente, porque tudo me era preferível à loucura. Se o inimigo era Satanás, somente Deus podia auxiliar-me, e eu sabia que ele não me negaria isso.

A aparição mesmo de uma “sombra”, fosse real ou imaginária, fazia precipitar-me de joelhos, orando, em meu quarto. Muitas vezes pela manhã, como durante o dia ou à noite, eu caía de joelhos para implorar a minha libertação das maquinações do diabo.

Tornei-me reservada, tímida, nervosa... Tinha medo de passar de uma para outra câmara; medo de ficar só em qualquer momento do dia ou da noite; vigiando cada uma das minhas palavras, com receio de denunciar a minha loucura; não ousava dirigir a minha vista para qualquer direção, com medo de que supusessem que eu procurava ver os fantasmas.

Tornei-me ávida de ocupações, receosa de achar-me sem ter o que fazer; pois fui informada de que Satanás inspirava maldade aos ociosos.

A Bíblia ficou sendo a minha companheira constante; de dia eu a trazia no bolso; de noite a estreitava conta o coração. Imaginava-me assim bem armada contra o poder do diabo.

Quanto durou esse estado de coisas não me posso de todo recordar; parece-me entretanto que envelheci muitos anos nos meses que decorreram até o novo regresso de meu pai a casa.

Ele impressionou-se alguma coisa com a minha palidez e magreza e ficou espantado com os meus modos esquisitos e nervosos.

– Ela cresce – disse minha mãe –; todas as meninas ficam pálidas e magras quando têm crescimento rápido.

– Eu preferiria que ela não crescesse e estivesse menos pálida e franzina – disse meu pai –. Ela devia passear mais, em vez de permanecer aqui, presa aos seus estúpidos livros e à sua costura. É preciso ver se uma mudança de ares pode restituir alguma cor a estas faces pálidas.

Depois de muitos projetos propostos, discutidos e rejeitados, decidiram afinal que, na falta de coisa melhor, eu acompanharia meu pai em uma viagem ao Mediterrâneo, que devia durar dois ou três meses.
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