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XXVIII
Os investigadores que conheci


“Os homens são inimigos de tudo o que ignoram.”

(Provérbio árabe.)
Lançando um olhar retrospectivo pelos trabalhos de investigação empreendidos na última parte deste século XIX, vejo em que erros caímos inconscientemente, erros de raciocínio em grande parte, mas principalmente erros causados por uma ignorância condenável das mais simples leis da Natureza.

Demos pouca importância ao raciocínio segundo o qual, para obter-se certo resultado, torna-se necessário fornecer materiais com as precisas qualidades. Talvez, mesmo, nos persuadíssemos de que as pessoas que particularmente se interessavam no assunto estavam nas condições de fornecer esses materiais. Não foi senão depois de severas lições, colhidas a poder de sofrimentos, que o conhecimento da verdade foi-me imposto.

Seria tão absurdo fornecer tão-somente água e qualquer areia a um fabricante de ladrilhos para que ele fizesse uma boa obra, como formar um círculo, na sua maioria composto de investigadores, e pedir aos Espíritos para produzirem manifestações que não provocassem a menor dúvida. Como o ladrilheiro, os Espíritos fazem o que podem com o material de que dispõem; e, se os resultados são de qualidade duvidosa, não é deles a culpa, mas sim daqueles que lhes fornecem o material.

Muitas pessoas, cuja atenção é dirigida para estudos dessa natureza, têm, desde o começo, a confortadora crença de serem especialmente dotadas para compreenderem e resolverem esses problemas. Dirigem de diversas maneiras as suas investigações e, como uma regra, o seu modo de proceder mostra a natureza do material por elas posto à disposição dos trabalhadores invisíveis.

Estive em contato com muitas espécies de investigadores, que trabalhavam com o fim de estabelecer alguma teoria favorita ou de sua própria lavra. Eles apoderavam-se com ardor dos fenômenos que justificavam suas idéias preconcebidas, desprezando todos aqueles que não tinham o alcance necessário ou que as contradiziam. Contentando-se geralmente com as teorias, a sua imaginação fornecia o resto. Daí a origem dessas teorias de cascas-psíquicas, pensamentos-formas, elementais e outros tantos absurdos. Mas esses produtos prematuros de um estudo muito superficial são, contudo, preferíveis às conclusões decretadas por uma ou outra classe de sábios e ilustres investigadores. Estes começam o seu inquérito afirmando que, com exceção deles, todos os experimentadores são desonestos; que todas as opiniões, salvo as deles, não têm fundamentos legítimos; que toda observação é duvidosa, menos a deles; que todo fenômeno citado é falso, quando eles não lhe testemunharam a autenticidade; e que toda manifestação obtida em condições diversas das que eles determinaram carece de verossimilhança.

O seu veredicto resume-se no seguinte: “Descobrimos a fraude; por conseqüência, não há nisso verdade”, mas poderiam antes dizer: “Nosso espírito tem capacidade para compreender a fraude, mas não para discernir a verdade; logo, aí não há verdade.”

Raciocinando com essa lógica, igualmente chegariam à conclusão: “A moeda falsa é uma evidência suficiente para demonstrar a não existência de moedas verdadeiras”, podendo em seguida outros replicar que, se não houvesse moedas verdadeiras, não existiriam as falsas. Esses sábios, porém, não pensaram nisso.

Há ainda uma outra categoria de experimentadores; aqui faço justiça aos meus compatriotas, visto não os ter encontrado nesse número que preconiza o princípio de descobrir o ladrão por meio de outro ladrão.

Fingindo o maior interesse pelo Espiritismo, buscam travar conhecimento com os médiuns, simulam para com eles a mais ardente simpatia, os mais vivos sentimentos de amizade, e pedem-lhes permissão de assistir a uma sessão.

Conseguido isso, levam consigo um aparelho fotográfico ou um agente da polícia secreta para desmascarar a fraude que esperam encontrar.

A um investigador dessa classe, enviado especialmente pelo clero, não repugnará espionar o médium em sua vida privada, vigiando pelos buracos que fizer nas paredes e nas portas.

Ou ainda, convidando cordialmente o médium a vir passar algum tempo em sua casa, abrirá suas malas com chaves falsas, ou gazua, para examinar-lhes o conteúdo. Persuadirá o médium, a poder de belas promessas, a dar uma sessão a alguns dos seus amigos íntimos, e fá-lo-á, máxime quando o médium é uma mulher, despir-se inteiramente para certifica-se de que não traz consigo meios de iludir os investigadores simples e confiantes.

Satisfeito com isso, ligará o médium com cordas, prendê-lo-á por meio de cadeias à porta ou à parede e depois esperará que as manifestações espíritas se produzam.

O sangue ferve-me nas veias quando ouço falar de médiuns sensitivos, freqüentemente meninas ou jovens, assim submetidas aos mais duros tratos e aos insultos desses experimentadores de curta compreensão. Ante uma simples aparência de qualquer coisa duvidosa, eles apressam-se em denunciar o infeliz culpado ou culpada, e a espalhar a má notícia por toda parte, vangloriando-se da sua habilidade de descobridores.

Pelo pouco que conheço a respeito das condições necessárias para se obterem boas manifestações, não posso furtar-me ao espanto de ver o êxito às vezes obtido em tais experiências. Quando os materiais fornecidos pelos investigadores são principalmente compostos de dúvidas, suspeitas e intrigas, temperados, em muitos casos, com o bafo nocivo do álcool e da nicotina, não temos razão para nos admirarmos de que os resultados conseguidos façam pairar o descrédito sobre as verdades que eles dizem advogar e arruínem o médium, que é naturalmente o bode expiatório, a vítima sobre a qual recai todo o escândalo.

Ouvi dizer que alguns bons médiuns deixaram de trabalhar pela causa; isso me não surpreende. Muitos deles têm sofrido tanto da parte dos ignorantes, com pretensões ao título de sagazes experimentadores, que abandonaram a tarefa com os corações magoados e desanimados, mortalmente enfastiados de todas essas questões e mesmo de ouvir falar na verdade à qual haviam sacrificado o que tinham de melhor, tempo, saúde e reputação.

Graças a Deus, porém, a mediunidade tem também o seu lado brilhante. Há corações bons e retos, para os quais os investigadores, espécie de espiões, olham com um desprezo compassivo; há, em seus pensamentos como em seus atos, pessoas honestas que não querem degradar-se nem desmoralizar o seu próximo, lançando uma dúvida sobre a sua retidão; que preferem crer que todo ser humano é inocente, antes de lhes provarem que é um criminoso. A percepção inata do poder misterioso que dirige as leis do Universo dá a essas criaturas, em suas indagações, um ponto de observação que outros não podem atingir, mesmo com o auxílio de todas as ciências terrenas. Os sábios podem chegar a crer em uma existência do Além, ao passo que as referidas criaturas sabem que ele existe.

Tais espíritos podem não ter cultivado os clássicos, não saber o grego nem o latim, mas parecem-se tanto com os investigadores sábios como a cotovia com a toupeira. Enquanto a toupeira não tem outra ocupação senão a de cavar a terra, donde tira a sua subsistência, e de formar torrõezinhos, cega a tudo o que a rodeia, a cotovia, embora construindo o seu ninho no chão, pode, graças às suas asas velozes, lançar-se na atmosfera transparente e rica de sol, desprendendo um hino alegre de reconhecimento.

É para os que se assemelham a esta última que as seguintes palavras foram ditas: “Felizes os corações puros, porque verão a Deus!” Somente aqueles que são puros de alma e corpo, e desejam sinceramente esclarecer-se, poderão achar a verdade. O homem cujo espírito se acha manietado nos laços de seus apetites, cujo cérebro se tornou pesado pelo veneno da nicotina ou pelos vapores do vinho, nunca será chamado a comungar com os habitantes do mundo invisível. Aquele que é impelido, a princípio, pelo desejo de nutrir alguma idéia favorita, algum sonho vago, pelo desejo de constituir uma teoria e aumentar a sua reputação de homem científico ou inventor, não está mais bem preparado para tal obra. A menos que ele não seja levado por um motivo melhor e mais puro que aqueles que acabo de indicar, não convém que o deixeis envolver-se em experiências espíritas, porque ele baqueará. Aquele que não procura senão descobrir a fraude nos outros, traindo assim sua própria cumplicidade, achará o que procura: a mentira e o embuste, porque nunca descobrirá a verdade.

A vós todos, porém, que estais fatigados da vida, de seus cuidados incessantes, de seus amargores e sofrimentos; a vós, cuja alma aspira à certeza, que vistes partir seres amados, deixando-vos no coração a dor e o desespero, que tendes o desejo sincero de obter provas da sobrevivência; é a vós que me dirijo. Purificai o vosso espírito de todo preconceito, o vosso cérebro de todo veneno, o vosso corpo das impurezas causadas pelas enfermidades, filhas dos vossos apetites, e buscai confiantes a verdade, porque achareis o que procurais. O terreno que ides calcar é sagrado; não o profaneis com os pés manchados pelo lodo da suspeita; não olheis como indigno de confiança o instrumento com o auxílio do qual vos aproximareis do vosso fim. Vinde! Mas com o desejo sincero de vos instruirdes, e não contando com as faltas e os erros de vosso próximo. Buscai humildemente a verdade, porque isso não será em vão; mas, se não aspirais a encontrar essa verdade no recolhimento e com o desejo sério de ser socorridos, não percais inutilmente o tempo nessa investigação.

“Quando duas ou três pessoas estiverem reunidas em meu nome, estarei com elas”, disse o Mestre. Dá-se o mesmo com as questões de que nos ocupamos. Quando muitas pessoas estiverem reunidas, dispostas a estudar com seriedade; quando nenhum elemento de dúvida ou suspeita introduzir-se no círculo, e que todos, o médium e os assistentes, estejam animados do mesmo desejo da verdade, as manifestações serão melhores e mais puras que nos antigos tempos das gaiolas, gabinetes, provas, etc., que tantas vezes davam decepções.

Já falei bastante dos equívocos, erros, insucessos, enfermidades e misérias de toda espécie, resultantes de muitas experiências. Lançando essas sombras negras sobre a minha história, quando tinha à minha disposição tantos episódios felizes, o meu intuito era mostrar que todas essas desgraças são lições mais preciosas do que os brilhantes êxitos.

Não sofri senão um mal realmente grave, há alguns anos, e do qual não tratei ainda. Esse acidente deu-se em Helsingfors, no ano de 1893, e foi a causa de me branquearem prematuramente os cabelos, durante os dois anos de sofrimentos que daí resultaram; quando, porém, a minha saúde se restabeleceu, eles cresceram quase tão negros como anteriormente. Uma descrição completa dessa memorável sessão acha-se em poder do editor Oswald Mutze, em Leipzig, com o título Ein seltsames und belehrendes Phanomen im Gebiete der Materialisation von Alexander N. Aksakof.

Essa obra foi vertida para o francês com o título: Un cas de dématérialisation partielle du corps d’un médium.7

Busquei, caros leitores, fazer-vos as minhas confidências e expor-vos o resultado das minhas investigações. Narrei-vos simplesmente as inquietações da minha infância e juventude diante das misteriosas aparições das personagens do mundo das sombras e disse-vos como os nevoeiros da dúvida se dissiparam, quando julguei compreender a realidade das minhas visões.

Após diversas experiências, vieram perturbações terríveis e tão graves que, em três circunstâncias, a minha vida pareceu apenas presa por um simples fio.

Falei-vos do que, em muitos casos, outras pessoas escreveram e publicaram a respeito desses fenômenos, narrações de que não assumo a completa responsabilidade. Utilizei-me delas na esperança de que as minhas experiências fossem mais bem compreendidas, assim como as dificuldades do que tive de lutar trilhando a nova doutrina. Tentei fazer-vos penetrar em meus pensamentos, sentimentos e impressões desse tempo. Se eu pudesse deixar de parte a descrição de qualquer desses fenômenos, é possível que o tivesse feito; se, porém, não os houvesse recordado por completo, as minhas dúvidas e perplexidades ser-vos-iam incompreensíveis.

Muitas coisas, muitas mesmo, foram escritas sobre o assunto, podendo fazê-lo cair em descrédito. O meu principal intuito não foi relatar fenômenos, e sim fazer conhecer os resultados pessoais que deles obtive em busca da verdade.

Sempre empreguei a palavra médium no sentido habitual, qual geralmente é usada, e de modo que com facilidade pudésseis seguir-me. Agora, porém, renuncio ao direito a esse título. Se me acompanhastes fielmente, caros leitores, creio que chegastes à mesma conclusão que eu.

Se observardes quanto as manifestações, em todas as circunstâncias, estavam de acordo com o caráter dos assistentes, reconhecereis que todos eles eram os médiuns, entre os quais eu também exercia o meu papel.

Quando o círculo se compunha de meninos, as manifestações revestiam-se de um caráter infantil; quando havia sábios, as manifestações eram de um gênero científico. Quando, finalmente, pus de lado essa velha idéia de médium e mediunidade e decidi não mais isolar-me do resto da sociedade, nem privar-me do uso de meus sentidos, tomei o lugar que deveria ter ocupado desde o começo. Mesmo quando tirávamos fotografias, mudando-nos constantemente de lugar, não tínhamos médium nem gabinete; todos éramos o médium.

Em um círculo de vinte pessoas, por exemplo, é absurdo atribuir-se a uma só as manifestações produzidas também pelas dezenove outras. Se o fenômeno depende das vinte pessoas, será justo censurar ou louvar uma só, por aquilo que foi feito por todos?

Enquanto um dos membros do círculo ficar isolado dos outros, farão cair sobre ele só a responsabilidade dos incidentes que sobrevierem, não cabendo aos outros mais que o papel de observar e criticar.

O que eu repilo seriamente é ter sido “o médium”, quando na reunião se achavam mais onze ou dezenove pessoas. É justo que me atribuam a décima segunda ou a vigésima parte dos resultados obtidos, e nada mais; a menos que alguns dos outros assistentes não exercessem influência desfavorável. Nesse caso ainda a responsabilidade dos fatos não poderá recair sobre mim.

Se estas conclusões, resultado de muitos anos de estudo e de amargas experiências, forem aceitas e seguidas no futuro pelos investigadores e experimentadores, nós nos julgaremos felizes por haver ressaltado os melhores. Os que retomarem o trabalho no ponto em que o deixei poderão encontrar caminhos mais planos e seguros que os que trilhei. Há ainda muito que aprender, buscar e compreender! Mesmo fazendo o melhor possível, não vemos senão através de um vidro opaco e só avançamos tateando nas trevas. Se, entretanto, nos deixarmos guiar pelos raios que cintilam através das sombras, chegaremos à luz pura, e então conheceremos o que realmente somos.

A minha tarefa está agora terminada. Os que me seguirem poderão sofrer como eu sofri, por causa da ignorância das leis divinas. Como o mundo hoje é mais sábio do que no meu tempo, os que empreenderem a obra talvez não tenham, como eu, de lutar contra a superstição e os juízos severos dos fariseus.

Não lhes desejo, entretanto, um caminho muito plano, porque me parece, lançando um olhar ao passado, ver tornarem-se pueris as numerosas inquietudes que me acompanharam nesses trabalhos. Não as lamento. Elas eram os censores severos que me despertavam quando eu deixava o bom caminho e foram igualmente os meus melhores amigos, embora não o desconfiasse então.

Agora que afinal encontrei o que buscava durante tão longos anos, anos de estudos ingratos, misto de raios de sol e tempestades, de prazeres e sofrimentos, posso bradar bem alto e com alegria a todos os que quiserem escutar-me:

“Encontrei a Verdade! Ela será também a vossa grande recompensa, se a buscardes com perseverança, humildade e seriedade.”

* * *

Nota da Editora: Muitos outros fatos maravilhosos, verificados com a autora e relatados por observadores de ilibada idoneidade moral, não foram por ela mencionados na presente obra.

Entre eles merece referência o famoso e retumbante caso “Nepenthés”, do qual Bozzano tratou em sua “Metapsíquica Humana”.(*)

(*) Obs.: A referida obra é uma refutação de Ernesto Bozzano às teorias materialistas de René Sudre, e o seu nome completo, traduzido para o português, é: A Propósito da “Introdução à Metapsíquica Humana” de René Sudre. Essa obra foi editada em português sob o título Metapsíquica Humana, pela editora FEB.
Fim –
Notas:

1Elisabeth d’Espérance desencarnou em 20 de julho de 1918.

2Em realidade, a narração que desse fato fez a médium de forma alguma ratifica a asserção de Aksakof. (N. E.)

3Como o leitor verificará, essas ilações de Aksakof pertencem a ele próprio, que generalizou um fato narrado pela médium, sem que a obra nada afirmasse nesse sentido. (N. E.)

4Trata-se, sem dúvida, da telefotografia, que principiou a desenvolver-se em 1902, mas que somente depois de 1925 ganhou importância prática. (N. E.)

5E o era realmente, pois que isto não é o que ensina o Espiritismo. (N. E.)

6Mulher de César; alusão histórica a uma reputação de honestidade, que se declara inatacável. (N. E.)

7A referida obra de Aksakof foi vertida para a língua portuguesa sob o título Um caso de desmaterialização, pela editora FEB.
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