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XVI
Novas manifestações


“Há um mistério em todas as coisas e em todos os seres: nas estrelas e nos átomos, no oceano e na gota d’água, na árvore e na flor, no animal e no verme, no homem e no anjo, na Bíblia e em Deus. Não existe um mundo em que não haja mistério.”

Dr. Davies
Formei um grupo de doze a quinze pessoas, entre as quais estavam meus velhos amigos, o Sr. e a Sra. F..., e dois outros companheiros das nossas primeiras experiências. Para comodidade dessas diferentes pessoas, que habitavam nos quarteirões afastados da cidade, decidiu-se que as reuniões se efetuariam no meu estúdio de pintura, por ser para todos de acesso mais fácil. As reuniões deviam efetuar-se duas vezes por semana.

Tínhamos muito desejo de cultivar a arte de tirar retratos dos Espíritos, atividade em que eu estava então mais hábil, esperando fazer, em condições favoráveis, esboços coloridos. Foi o que tentei com êxito por uma ou duas vezes; mas a minha faculdade de ver distintamente os Espíritos, como seria de desejar nesse trabalho, era muito intermitente e deu lugar a freqüentes decepções. É certo que, apesar de tudo, obtivemos retratos que foram invariavelmente reconhecidos. Muitos deles foram logo fotografados, mas os originais eram conservados pelos amigos, que os haviam reclamado como retratos de seus parentes falecidos. Muitas vezes lamentei ter dado alguns antes de mandá-los fotografar; em suma, não conservei senão os raros originais que não foram reclamados. Quase todos esses retratos dispersaram-se pelas diferentes partes do mundo.

Fizemos também a experiência de ler cartas fechadas e lacradas, sendo a primeira muito bem sucedida. Eu podia ver distintamente a escrita da carta, mas tinha de atender às dobras do papel, pois exigiam que eu colocasse a carta em diversas posições para poder seguir o traço das linhas.

A carta estava encerrada dentro de sete envelopes lacrados, uns dentro dos outros, e escrita em língua para mim desconhecida, de modo que me foi preciso ir soletrando em voz alta palavra por palavra, a fim de que um dos companheiros pudesse escrevê-la sob o meu ditado.

Em outra ocasião, deram-me para ler uma carta, mas não pude proceder à leitura, apesar de tentar isso por diversas vezes. Afinal, retomando a carta, reconheci que o seu conteúdo me era claramente visível, mas estava escrito em uma língua estrangeira, em sueco, e fui obrigada a copiá-la palavra por palavra sem compreender-lhe a significação.

No princípio, eu esperava com ansiedade a abertura das cartas para certificar-me de haver realmente visto a escrita em questão; mas, como eu nunca me enganava, acabei por nada mais recear: sabia ter lido através do envelope lacrado.

Essa faculdade também era variável. De duas cartas que me davam para ler, a primeira apresentava-se clara e distinta como se acabasse de ser traçada sob a minha vista, ao passo que a segunda ficava-me inteiramente impenetrável. Uma ou duas vezes guardei essas cartas comigo, a fim de ver se de um momento para outro podia decifrar-lhes o conteúdo oculto. Em certos casos, igualmente, depois de as haver guardado comigo por algum tempo, eu conseguia ver através do envelope e lê-las, ainda que com dificuldade, precisando muitas vezes adivinhar as palavras. O papel parecia-me quase sempre nebuloso e às vezes totalmente negro, tornando-se-me impossível distinguir as palavras.

É uma coisa incompreensível a aversão particular que eu votava a essas cartas, aversão que muitas vezes tocava às raias do horror. Detestava o seu contato e depois disso experimentava um desejo instintivo de lavar as mãos. Foi em vão que tentei combater esse sentimento, que diminuía freqüentemente a força da minha faculdade.

Todo o constrangimento era prejudicial ao seu exercício. Muitas vezes eu dizia a mim mesma: “Quero ler a carta a fim de chamar este homem para a nossa causa”, não pelo fato de simpatizar pessoalmente com o seu autor, mas sim porque a sua posição social e influência faziam dele um adepto desejável, ou porque o seu cepticismo obstinado excitava em mim um sentimento de antagonismo. Desejava mostrar que tinha razão nas minhas asserções e que o fato podia dar-se. Recordo-me entretanto de que, em tais condições, nunca fui bem sucedida. Outras vezes, cartas escritas por estranhos, que eu nunca havia visto, eram para mim claras como cristal.

Apesar de o exercício dessa faculdade despertar um grande interesse em nosso grupo, entre nós ela originou muitos desgostos, devido aos comentários dos inimigos do Espiritismo, que não hesitaram em atribuir tudo a um embuste. Posto que a nossa intenção fosse guardar segredo sobre essas coisas, vimos em breve que isso era muito difícil. Constantemente se apresentavam pessoas, valendo-se do seu parentesco com algum de nós, a fim de obter ingresso em nossas sessões. É certo que desde esses dias começou a amizade de pessoas a quem voto muita estima; mas, naturalmente, também me lembro perfeitamente daqueles que não foram meus amigos. Pelo menos não os considerei como tais até que Stafford me tivesse dito que os inimigos nos eram mais úteis que os amigos, porque descobrem e proclamam as nossas faltas, ao mesmo tempo em que ignoram ou escondem as nossas virtudes, e obrando assim mostram-nos claramente o meio de progredirmos.

Os amigos, ao contrário, exaltam as nossas virtudes e ocultam os nossos defeitos.

Acredito que isso seja uma verdade, mas penso que a maioria prefere os amigos aos inimigos, ainda que estes sejam, às vezes, necessários, como um remédio que deve operar a cura. Entretanto, eu não gostava de remédios, do mesmo modo que hoje não aprecio os meus inimigos, apesar dos sábios ensinos de Stafford. Não censuro os antiespíritas, mas alegro-me quando posso levar a convicção a algum deles; censuro o homem que rejeita uma coisa por incompreensível, quando não fez pessoalmente alguma experiência para conhecê-la. Para mim é arrogante e presunçoso o homem que, sem ter experimentado ou estudado uma coisa, duvida das afirmações daqueles que consumiram tanto tempo em cuidadosas investigações e experiências a seu respeito. Quanto à rejeição do assunto que nos ocupa, creio que só o homem completamente ignorante poderá fazê-lo. Aquele que empregou um pouco do seu tempo em fazer uma indagação conscienciosa, não ousará dizer: “Nada há nisso de real.” Poderá encontrar coisas que lhe desagradem, outras que lhe não convenham, mas em tal caso deverá dizer simplesmente: “Não compreendo”.

Na época a que me refiro, de 1873 a 1880, desenvolveu-se um interesse apaixonado pelos fenômenos psíquicos. Havia muitos médiuns, cujas sessões os jornais publicavam, e os antiespíritas tinham a ocasião de fazer a sua ceifa à luz do Sol. Os mais ignorantes dos adversários, os que apenas sabiam juntar duas frases, subiam à tribuna para acusarem o Espiritismo com toda a força de que eram capazes. Segundo o conselho de um célebre advogado a um dos seus jovens colegas, quando as coisas pareciam-lhe desfavoráveis, eles deviam acabrunhar os espíritas com invectivas e epítetos de desprezo. É possível que esses homens fossem “inimigos valiosos”, como dizia Stafford, mas é certo que eles também dificultavam a obra dos médiuns.

Um dos médiuns de que mais se ocupavam esses discursadores era a Sra. M..., jovem que eu já conhecia havia muito tempo, nas suas sessões de materialização a que eu tinha assistido, Precedentemente ela ocupara os cômodos que aluguei depois, e onde se achava ainda num dos cantos o seu gabinete de materialização. Ela havia interrompido as suas sessões por motivo de moléstia.

Uma noite, nenhum resultado produzindo a nossa sessão habitual, provavelmente porque a atmosfera achava-se carregada de nuvens e por causa da chuva que nos fazia pensar com tristeza na volta às nossas residências, interrompemos o trabalho e esperamos que a chuva cessasse para sairmos. Nesse tempo de espera, alguém propôs que um de nós se conservasse sentado no gabinete da Sra. M..., a fim de ver se algum Espírito materializado se apresentava. Não havendo objeção, a proposta foi aceita, assentamo-nos em círculo na frente do gabinete e começamos a cantar. Cantamos tudo o que nos veio à memória e começávamos a julgar longa a demora, quando um ronco sonoro, partido do outro lado das cortinas, advertiu que o nosso “médium” parecia achá-la menos longa que nós. Deixamos por isso de cantar melodias sonolentas e pedimos-lhe que cedesse o lugar a outro menos dorminhoco. Ele veio ocupar um lugar no círculo, e a Sra. F... consentiu em ir colocar-se atrás da cortina. Recomeçamos o canto, declarando-lhe que o nosso fim não era adormecê-la. Apenas haviam passado cinco minutos, quando a Sra. F... precipitou-se para fora do gabinete, dizendo que ali se achava alguma coisa viva e que ela tinha medo.

Acreditamos que isso era apenas um pretexto seu para sair dali; entretanto, afastamos as cortinas para examinar o interior do gabinete, onde nada foi encontrado que se assemelhasse a alguma coisa viva ou morta, exceto uma simples cadeira de madeira.

Persuadimos a Sra. F... a tentar uma nova experiência, o que ela fez com evidente repugnância, enquanto retomávamos os nossos assentos e começávamos um novo coro. Imediatamente a Sra. F... atirou-se para fora do gabinete, declarando que por nada no mundo ficaria mais um momento atrás das cortinas, pois estava certa de haver ali alguma coisa viva.

Vendo inúteis os nossos esforços de persuasão, declarei, impávida, a minha intenção de afrontar essa alguma coisa viva, tomei assento no gabinete, vindo a Sra. F... a ocupar o meu lugar no círculo.

Durante alguns minutos reinou na sala completo silêncio, e eu já começava a supor muito viva a imaginação da minha amiga, quando de súbito senti alguma perturbação no ar do gabinete; não havia ruído algum e, como as espessas cortinas não deixavam passar luz, nada pude ver; mas a atmosfera que me envolvia parecia agitada, como se aí voasse algum pássaro.

Nada quis confessar, mas nesse momento experimentei alguma coisa muito semelhante ao medo e desejei correr para a luz e reunir-me aos cantores; entretanto, resisti e conservei-me quieta. Sentia-me colada à minha cadeira, temendo que alguma coisa me tocasse e convencida de que, se isso acontecesse, daria grandes gritos. Alternadamente, fiquei abrasada e gelada, e estava com grande vontade de achar-me fora das cortinas. Eu sabia que me bastava estender a mão para afastá-las, mas era vítima de indescritível sensação de isolamento, que parecia colocar-me a enorme distância dos outros. Essa sensação esquisita quase subjugava o meu desejo de ser corajosa, e estava a ponto de ir precipitar-me para fora do gabinete, quando uma mão, pousando em meu ombro, forçou-me a retomar a cadeira da qual me levantara.

Coisa estranha! Essa pressão, que em outras circunstâncias me abalaria muito, teve então o efeito de acalmar a minha febre e o meu temor. Recordei-me de que, em uma noite de tempestade, já havia muitos anos, velando com temor angustioso enquanto meus irmãozinhos dormiam, uma mão havia do mesmo modo pousado em meu braço, tendo a pressão dos dedos invisíveis tal poder mágico que fez desaparecer o medo.

A vibração do ar não mais foi percebida; a mão deixou o meu ombro, e os assistentes, que começavam a sentir-se fatigados de cantar, fizeram as seguintes perguntas:

– Nada vedes junto de vós?

– Encontrastes alguma coisa viva?

– Que tempo devemos ainda conservar-nos sentados? Vamos levantar a sessão, já não chove e podemos recolher-nos às nossas casas.

– Então – disseram eles, quando apareci fora das cortinas –, sentistes ou vistes alguma coisa curiosa?

– Nada vi; mas senti estranho movimento vibratório, como se algum pássaro estivesse voando ao redor de mim, e depois alguma coisa tocou-me no ombro.

Esse acontecimento foi o objeto das nossas discussões nos dias seguintes e, no fim da sessão imediata, que pareceu igualmente terminar mais cedo que de costume, fui convidada a fazer um novo ensaio, entrando para o gabinete, onde retomei a primitiva posição.

Cumpre explicar que esse gabinete tinha simplesmente uma pequena entrada por um dos ângulos da sala, entrada essa fechada por espessas cortinas de sarja que vinham do teto até o soalho. Durante as nossas sessões, a sala era fracamente iluminada por um ou dois bicos de gás, que geralmente ficavam quase apagados, dando, porém, a claridade necessária para cada um ver o que se passava, fazer suas observações ou tomar notas. Sendo a luz fraca para atravessar a espessura das cortinas, eu ficava em obscuridade absoluta, enquanto os outros tinham a luz de que precisavam.

Não foi necessário que esperasse muito para tornar a sentir as estranhas perturbações do ar ao redor de mim. Senti os meus cabelos espalharem-se sob a ação da corrente de ar, assim como um vento fresco soprar sobre o meu rosto e as minhas mãos.

Veio-me depois estranha sensação que algumas vezes tornei a experimentar nessas sessões. Freqüentemente vi outros descreverem essa sensação como sendo idêntica à que produziriam teias de aranha estendidas sobre o rosto; quanto a mim, porém, que me analisava com curiosidade, acreditei que, de todos os poros da minha pele, estavam arrancando fios muito finos.

Não tinha mais o temor da noite precedente. No começo, tive uma sensação estranha que se assemelhava um pouco a isso, alguma coisa como um sentimento do sobrenatural; depois, essa impressão dissipou-se e fiquei muito calma, porém impotente para fazer o menor movimento ou para responder a numerosas perguntas que os meus amigos me dirigiam. Ao mesmo tempo, experimentava grande interesse em analisar as minhas sensações e interrogar-me acerca do que ia acontecer.

– Eis ali o rosto de um homem! – ouvi dizer.

– Meu Deus! É certo; que coisa maravilhosa!

– Podeis vê-lo?

– Sim, todos o estamos vendo. Que será isso?

– Onde está? – perguntei, chamada a mim mesma por todas essas exclamações.

– É ali, atrás das cortinas. Um rosto redondo, com olhos negros, bigodes e cabelos castanhos. Olhai, ele ri e faz sinais com a cabeça. Não podeis vê-lo?

Foi em vão que voltei os meus olhos; nada pude descobrir. Um fraco raio de luz, passando através das cortinas, parecia indicar que alguém as procurava manter afastadas até à altura de um homem, da cabeça aos pés, e mais nada.

– Meu Deus! – disseram – Quem é? Que belo rosto! Estais vendo os seus dentes quando ele ri? Notai os sinais que faz com a cabeça quando falamos.

Todas essas exclamações excitavam ao extremo a minha curiosidade, e fiz um movimento para sair de entre as cortinas e ver a estranha personagem. Quando me ergui, meus joelhos estavam singularmente fracos, e a mim mesma perguntei se me achava enferma. Avancei a cabeça pela abertura da cortina e olhei para o centro... Que vi? O rosto de Walter fixando-me com os seus olhos alegres.

Reconheci-o logo à luz do gás projetada em cheio sobre o seu rosto; eram absolutamente as mesmas feições que eu havia visto e desenhado, ainda que em condições diferentes.

– Walter! – exclamei.

Ele sorriu e fez um sinal de assentimento.

Senti-me fraca, espantada, e experimentava outra sensação que não podia compreender.

Caí sem forças em minha cadeira.

Vieram então como uma avalancha as perguntas dirigidas a Walter, às quais ele respondia por gestos bastante expressivos, que não pude ver. Adivinhei, porém, que Walter estava satisfeitíssimo com o trabalho dessa noite.
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