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XI
Os visitantes do outro mundo


“O Grande Espírito, a Divindade, sempre os emprega em seu serviço para indicar-nos a sua vontade.”

Longfellow
Até então as nossas sessões seguiram um curso regular; nelas tínhamos interesse e distração, mas nunca indagamos se algum de nós possuía faculdade especial. O nome de médium não era certamente invejável, quando, afinal, fui reconhecida como sendo o médium pelo qual todos esses resultados se obtinham, o que pouco me satisfez, apesar de não acreditar muito nisso. O que eu sabia acerca dos médiuns fora aprendido nas narrações dos jornais, narrações essas que lhes não eram favoráveis. Por isso, o nome de médium era para mim sinônimo de mágico e impostor da mais baixa classe, e eu de nenhum modo desejava ser classificada entre eles. Não se insistiu sobre essa questão, e as nossas sessões continuaram como antes, até à noite em que, precisamente no momento de tomarmos lugar ao redor da mesa, a conversação versou sobre a dificuldade de se obterem mensagens diretas.

Experimentáramos a prancheta com maior ou menor êxito, mas isso não correspondia a todas as exigências: o processo era lento e a escrita não tinha clareza. Alguém sugeriu que, se era realmente um Espírito quem escrevia, podia também fazê-lo pela mão de um de nós e sem o auxílio da prancheta. Fizemos a experiência; sucessivamente cada um tomou o lápis na mão direita e, convidando o Espírito para escrever desse modo, aguardamos com curiosidade o resultado da experiência. Em muitos casos pudemos ver que os músculos do braço e da mão ficavam tensos e que os dedos, segurando o lápis, tinham agitações convulsivas. Mas, a não ser algumas garatujas, nada se produziu.

Outros, tentando escrever, não experimentaram sensação alguma no braço nem na mão, e abandonaram logo o lápis.

Quando chegou a minha vez, notei a princípio um contato, picadas e uma sensação dolorosa no braço, como a que se experimenta quando se choca o cotovelo; depois, veio uma sensação de entorpecimento que se estendeu às extremidades dos meus dedos. Minha mão ficou de todo fria e insensível, podendo eu beliscá-la e mordê-la sem sentir dor alguma. Após alguns instantes, ela começou a mover-se lenta e laboriosamente, imitando os movimentos de quem escreve, fazendo tentativas repetidas para formar palavras e terminando em seguida por escrever com uma letra assaz pequena e má. Novo ensaio veio afirmar um progresso real, mas as sensações que eu experimentava no braço, além de serem dolorosas, eram decididamente desagradáveis. Por isso, apesar da minha curiosidade, não me senti contrariada quando tive de deter-me, ao avisar-nos a pêndula que chegara a hora de suspendermos a sessão.

Consagraram-se as reuniões posteriores a experiências do mesmo gênero, e não foi preciso muito tempo para que a minha mão se tornasse inteiramente hábil na caligrafia.

Com rapidez eu enchia páginas inteiras de caracteres distintos e bem formados, enquanto conversávamos e recebíamos outras espécies de mensagens. Depressa observamos que a escrita apresentava caracteres diferentes, de um para outro momento, e que não só ela em si, mas também os assuntos, tinham a sua individualidade distintamente acentuada.

Rapidamente esses correspondentes invisíveis tornaram-se familiares. Aprendemos a conhecê-los por seus nomes e eles contaram-nos alguma coisa de suas vidas. Um deles, John Harrison, inglês que tinha vivido no Condado de York, solitário, misantropo, com algumas idéias religiosas, misturadas de pessimismo, escrevia-nos longos e minuciosos discursos, principalmente sobre assuntos religiosos.

Essas mensagens eram recebidas cortesmente, mas devemos confessar que nos sentíamos aliviados quando algum dos outros escritores invisíveis se apossava da mão e do lápis, especialmente Walter Tracy, um americano cuja história é a seguinte: Fora estudante na Escola ou Universidade de Yale e quando rebentou a guerra civil, tendo-se alistado como voluntário, tomou parte em diversos combates, dos quais saiu ileso, salvo o fato de haver perdido dois dedos por causa de um descuido no manejo da espingarda. Seus amigos desejavam vê-lo recomeçar seus estudos depois da guerra, mas isso não lhe agradava e ele procurava dissuadi-los. Um acidente pôs termo à controvérsia, enviando-o para o outro mundo: afogara-se num lago, quando viajava a bordo de um vapor. Muitos passageiros caíram então na água; ele sabia nadar, mas não tinha probabilidade de salvação no meio dessas pobres criaturas que se agarravam a ele para não se afogarem, e que o fizeram ir também ao fundo.

Muitos anos depois encontrei um jovem que igualmente fora aluno da Universidade de Yale. O que ele contou-me da sua vida coincidia em muitos pontos com as narrações de nosso amigo a respeito dos lugares, dos professores, dos estabelecimentos e dos hábitos dos estudantes. Segundo Walter, ele contava cerca de vinte anos quando se alistou como voluntário, e vinte e dois quando se afogou.

Walter tornou-se depressa o favorito do nosso grupo; parecia trazer-nos uma verdadeira atmosfera de alegria, bom humor e vida; era ele, como nos disse, quem se servia da mesa para acompanhar a música e, depois de termos feito conhecimento com ele pela escrita, vimos que o seu modo de agir combinava com o seu caráter. Mostrava-se tão curioso e cheio de interesse pelas experiências como nós mesmos, e em muitas ocasiões sugeriu novas idéias para instruir-nos e esclarecer-nos. Às vezes lhe propúnhamos questões a que ele não era capaz de responder, mas, então, depois de refletir um momento, escrevia: “Vou submeter isto a alguém que conheço; conservai-vos aqui até que eu venha.”

Na volta, dava-nos invariavelmente a informação desejada, embora o fizesse tão engraçadamente que parecia ser antes uma pilhéria do que a questão séria sobre a qual o tínhamos consultado. A natureza espirituosa de Walter foi uma fonte de contínuas distrações; ele era sempre bem-vindo e acolhido com alegria desde o primeiro sinal da sua letra grande e ousada.



Walter

Uma noite, respondendo a pedido de informações sobre um assunto particular, Walter confessou a sua incapacidade para esclarecer-nos, porém disse que se fosse de nosso agrado, ele nos traria outro. Esse Espírito, a quem chamava “Governador”, ensinar-nos-ia, provavelmente, se com ele fôssemos atenciosos, tudo o que desejássemos saber. E acrescentou: “Sobretudo não o trateis como a mim. É preciso calçardes luvas, pois que ele é muito cheio de formalidades.”

Prometemos, naturalmente, observar melhor conduta e tratar seu amigo com o devido respeito, porém divertiu-nos algum tanto essa censura indireta, porque era certo que não tratávamos Walter com a delicadeza necessária.

Esse novo elemento mostrou-se-nos logo com uma individualidade muito diferente das de Walter e John Harrison. O “Governador” era grave e sério e, entretanto, cismador e paciente; era um sábio estudioso, um amigo fiel e um auxiliar infatigável. São passados vinte anos desde a noite em que Walter no-lo apresentou, e desde então nunca a sua amizade foi encontrada em falta. Na enfermidade e na saúde, nas aflições e na calma, na má ou na boa fortuna, ele mostrou-se sempre simpático e de bom conselho. Desde o começo, constituiu-se um guia escolhido, um guarda, um conselheiro e um mentor; nunca nos importunando com os seus conselhos, mas sempre prestes a dá-los quando os reclamávamos, conselhos esses nem sempre de fácil aceitação, pois que às vezes eram extremamente penosos, e mesmo tão contrários às minhas inclinações que eu recusava segui-los; devo, porém, confessar que nunca deixei de arrepender-me amargamente da minha teimosia.

Quando eu seguia seus conselhos, confiada em sua sabedoria, tudo ia bem; ele nunca cometia erro no diagnóstico de uma enfermidade, descrevendo fatos e teorias científicas, ou dando certos detalhes concernentes a coisas possíveis, mas que não eram ainda conhecidas do mundo.

Não compreendemos desde logo a grandeza dessa nova Inteligência, comunicando-se para o nosso bem; mas, sentimos depressa que a recomendação de Walter era inútil, porque mesmo sem ela nunca teríamos ousado tratar Stafford como bom camarada, como o fazíamos em relação a Walter.

Respondendo à nossa questão sobre a sua vida terrena, Stafford contou-nos sucintamente ter sido filho de um homem político americano casado com uma alemã, e que grande parte da sua educação fizera-se na Alemanha. Interessava-se pelas ciências naturais, era estudioso, ambicioso de saber, grande amador de experiências e investigador apaixonado de tudo o que se referia ao emprego das forças naturais em serviço do homem; sua carreira científica foi detida por um acidente que o obrigou a guardar leito durante três anos, terminando pela morte.



Humnur Stafford, segundo o desenho a
pastel executado em completa obscuridade.

Foi durante esses três anos que a questão da sobrevivência começou a interessá-lo. Até então ele não se tinha preocupado com isso, considerando o assunto como um daqueles que não podem ser tratados do mesmo modo que os problemas da Matemática ou de natureza científica. Para ele, não havia prova alguma da sobrevivência depois da morte, ou somente existiam teorias sem provas e, portanto, inúteis ou destituídas de interesse.

Durante a sua longa reclusão, vendo-se obrigado a abandonar os estudos, seu cérebro, conservando-se ativo e analítico como anteriormente, pôs-se a estudar e aprofundar o tema das crenças religiosas. Ele foi também impelido a isso por sua mãe, cujos esforços carinhosos visavam a minoração do seu desgosto, do seu desespero por ver assim despedaçados o seu trabalho e a sua vida. Ele, pois, por amor à sua mãe, buscou interessar-se pela religião que ela professava e ficou surpreso vendo quão pouco era o que daí podia esperar.

Considerava a morte com o interesse e a ansiedade do experimentador, procurando conceber o desenvolvimento ou o resultado de um plano de que ele tivesse sido o criador, de um plano apreciado como uma teoria amada, mas apenas confessável.

Desejaria ter provas – coisa que buscava em todos os seus estudos – e, com o fim de obtê-las, esperava resignado, se não feliz, a morte. Pagou o tributo necessário e conseguiu o seu fim. Morreu e encontrou a prova, nas mesmas proporções que em vida a buscara. Sua inteligência era mais livre, seu amor ao estudo e seu desejo de saber estavam aumentados, sua capacidade de compreensão era mais clara e brilhante, e suas simpatias humanas, até então comprimidas, expandindo-se sem constrangimento, davam-lhe a vontade de ensinar aquilo sobre que, tempos antes, desejara instruir-se.

Eis, em resumo, o que nos contou a respeito de si mesmo:

“Não façais indagações acerca da minha vida terrena, nada descobrireis; eu não vos dei o meu nome inteiro. Muitos dos meus parentes ainda vivem e não desejo desgostá-los. Aceitai a minha narração, como me aceitastes. Ela é tão sincera como o meu desejo de vos ser útil.”

Conformando-nos com o seu desejo, nunca fizemos indagação alguma, apesar de não nos faltarem ocasiões. Mais de uma observação, feita incidentemente na discussão de um ou outro assunto, traiu a sua amizade pessoal com sábios de diferentes nacionalidades.

Mais tarde, o nosso círculo de amigos invisíveis cresceu com a chegada de uma pequena espanhola, que escrevia mal o inglês, misturando-lhe palavras espanholas; sua escrita era inteiramente fonética e suas expressões as de uma menina de sete a oito anos, cheia de vontades e impetuosa. Disse-nos ter morrido queimada, com sua irmã mais velha, em uma igreja de Santiago, e chamava a Walter grande amigo, ao qual amava muito. Imagino que os seus afetos fossem caprichosos, porque ela afeiçoou-se de pronto a um dos membros do nosso círculo, ao qual chamava Geórgio e manifestava as suas preferências. Desde então, parecia prodigalizar todas as suas atenções a esse nosso amigo. Se Geórgio por qualquer motivo deixava de vir, Nínia também faltava ou se mostrava inconsolável. Muitas vezes ela traía pequenos incidentes da vida privada de Geórgio, o que nos divertia muito, e a ele não era muito agradável. Nínia não sabia ser discreta.

– Não deveis contar essas coisas, Nínia – disse severamente Geórgio, num dia em que ela nos fez a descrição de uma sua entrevista com certa jovem, contra a qual Nínia mostrava-se muito ciosa.

– Por que não, quando é verdade? – replicou ela.

– É possível, mas não é bonito para uma menina vir contar essas histórias e dizer aos outros o que os não pode interessar.

– Não se devem fazer coisas das quais se tenha vergonha de falar – foi o que Stafford ensinou a Nínia.

Apesar da sua indiscrição, Nínia não permitia que fizéssemos observações pesadas sobre os atos de Geórgio. Parecia que ela reservava para si o direito de ser o seu mentor, e considerava qualquer reflexão feita por nós como uma infração dos seus direitos.

Fiel amiguinha! Alguns anos depois, A Sra. F... e eu fazíamos uma longa viagem, para nos irmos assentar à cabeceira de Geórgio, que estava moribundo. Eu acabava tristemente de escrever uma carta sob o ditado dele, e a lia.

– Obrigado – disse ele –, isso vai mesmo assim. Vou procurar assinar. Nínia!... Cara Nínia, quanto és gentil!

Eu fixava-o ansiosamente, impressionada pela sua expressão alegre. Um sentimento de felicidade se lhe patenteava no semblante.

– Cara Nínia, não partas – disse ele com os olhos súplices –. Depois, notando o nosso ar inquieto, acrescentou:

– Querida menina!... Estou fatigado e vou ver se durmo um pouco.

Cerrando os olhos, ele adormeceu com um sorriso feliz, mostrando em seu semblante uma expressão de paz. Tivemos medo de que fosse esse o seu último sono. Quando despertou, lançou um olhar ansioso ao redor de si; depois, deteve-se a fixar o espaço, no ponto onde anteriormente tinha visto a sua amiguinha, e então sorriu, fazendo um pequeno sinal de satisfação. Pronunciou o seu nome muitas vezes nas horas que se seguiram. “Ela vai fatigar-se de tanto esperar”, disse ele. Nunca o seu espírito se distraiu desse pensamento; sabia que uma grande mudança o esperava, e a presença de Nínia parecia dar-lhe coragem. Falou-nos doce e calmamente durante a hora que precedeu a sua morte, e suas últimas palavras foram: “Cara Nínia, querida amiguinha!”

Às vezes penso em nossas primeiras experiências, quando, neófitos ainda, julgávamos inútil encorajar comunicações como as de Nínia. Quão pouco sabíamos, quão pouco suspeitávamos que a pequena visitante invisível seria um dia mais preciosa que todas as consolações da Igreja e dos sacerdotes, animando e iluminando o caminho de um dos nossos através do vale da sombra e da morte!

Também outro Espírito amigo fez-se conhecido e amado do nosso pequeno círculo. Chamava-se Felícia Owen e era uma jovem inglesa, com cerca de vinte anos, calma, simples e reservada, que fora instruída em uma escola católica do País de Gales. Ela escrevia sempre em versos muito harmoniosos e puros, trazendo-nos como que um sopro do céu. Um dia escreveu estas palavras que me voltaram à memória com uma força irresistível, quando eu velava junto ao leito de Geórgio moribundo:

Ao morrer, eu não acreditava que pudesse
Voz amiga escutar, sentir o aperto
De u’a mão, quando eu trêmula estivesse
Na praia do oceano negro, aberto
Entre mim e a eternidade.
E, no entanto, isso era verdade.


Felícia não se apresentava muitas vezes entre nós.

Talvez hão houvesse em nosso círculo almas assaz semelhantes à dessa terna e tímida poetisa. Talvez também concorresse para isso o fato de haver eu sido, ainda que contrariada, reconhecida como médium, e preferir tratar de assunto por mim ignorado. Eu não possuía o mínimo dom de escrever, e incomodava-me quando ouvia dizer que o faria, se tentasse. Ficava muito mais satisfeita quando, por sua natureza, as comunicações não davam motivo à suspeita de que uma jovem com menos de vinte anos pudesse ser a sua autora.

Às vezes minha mão escrevia com rapidez e firmeza durante duas horas, sem se deter, enquanto eu vigiava o papel, gradualmente coberto da letra miúda e cerrada de Stafford ou da escrita larga de Walter, e com a mão esquerda preparava as novas folhas de papel necessárias. Algumas vezes eu lia as frases, à medida que elas iam sendo formadas pelo lápis; mas, geralmente, quando me interessava ou apaixonava pelo que ia seguir-se, a escrita tornava-se incoerente, palavras eram omitidas, outras mal empregadas, e o sentido tornava-se ininteligível. Meu braço e meu ombro ficavam tão doloridos que me sentia quase mal; mas, eu começava a apreciar muito as comunicações, para não suportar com paciência, e mesmo com satisfação, esses incômodos. Pelas sensações da minha mão e do meu braço, pude mui depressa distinguir os diferentes Espíritos, cada um dos quais parecendo servir-se do lápis de um modo distinto. Stafford causava-me menos sofrimento que qualquer outro, ainda que escrevesse muitas vezes durante um tempo mais longo.

Em certas ocasiões, um estranho tentava escrever por minha mão, porém eu o descobria imediatamente; outras vezes a escrita vinha da direita para a esquerda, como se o “poder” ou influência operasse por baixo da minha mão. Neste caso, precisávamos ler a escrita refletida num espelho. Nossos visitantes mais assíduos eram os cinco de que já falei, salvo quando, afrouxando o nosso exclusivismo, permitíamos a alguma pessoa estranha tomar parte na sessão. Invariavelmente, então, havia uma nova adição ao nosso círculo de Espíritos. Walter fazia o papel de mestre de cerimônias e introduzia o hóspede invisível. Muitas comunicações interessantes foram-nos assim dadas, porque acontecia freqüentemente que o assistente terreno era um estranho para a maioria dentre nós, e nada sabíamos sobre ele e seus negócios.

Essas visitas acidentais interrompiam mais ou menos os nossos processos habituais, mas não poderíamos dizer se isso era a conseqüência da vinda de novas influências espirituais ou se provinha da curiosidade, assaz natural, ou do cepticismo, também natural, dos assistentes novos. Certas pessoas pareciam trazer consigo uma recrudescência de força, e outras, só com a sua presença, paralisavam as manifestações.

Uma dama, que insistentemente havia pedido para ser admitida em nossas reuniões, obteve uma vez o convite para vir. Íamos precisamente realizando uma série de experiências bem sucedidas e nos reuníamos cheios de esperança, porque nos haviam prometido um fenômeno especial. Tomamos os nossos lugares habituais, ficando a dama estranha colocada à minha frente. Esperamos por muito tempo e, com grande desapontamento nosso, a mesa não deu indício algum de querer mover-se, não se conseguindo obter nem mesmo um traço de lápis. Inutilmente cantamos e tocamos piano. Inutilmente mudamos a colocação dos nossos lugares e pedimos algum sinal da presença dos nossos amigos invisíveis. Nenhum sinal nos foi concedido. Todos se queixavam de sensações penosas, espécie de ferroadas e mordidelas vindas de pontos diferentes, e um ou dois dentre nós experimentavam o sentimento desagradável de ter o rosto e as mãos cobertos de teias de aranha. Finalmente, depois de duas horas de espera, levantamos a sessão, em desespero de causa.

Ao despedir-se, respondendo às nossas expressões de pesar pelo insucesso, a dama disse com ar de triunfo:

– Sabeis por que os vossos Espíritos não vieram? Eu vo-lo direi. Eu pedi a Deus sem cessar, durante a noite inteira, que nos livrasse do poder de Satanás e impedisse as suas manifestações enquanto eu aqui estivesse. Não tivestes manifestações espíritas, e ficai certos de que jamais as tereis, se orardes, como eu fiz, a fim de serdes protegidos contra as tentações do espírito maligno. Podeis estar certos de que essas manifestações vêm do diabo; do contrário, apesar das minhas preces, as teríeis obtido nesta noite.

Não encontrei de pronto um argumento para responder-lhe. Essa dama tinha filhas de mais idade que eu e era esposa valorosa, séria e ativa de um pastor protestante, cujas opiniões religiosas eram muito acatadas, e que se julgava com o dever de vigiar o moral das pessoas de seu conhecimento. Ela desconfiava muito das nossas experiências e não tinha hesitado, em nossas conversações a tal respeito, em me exprimir a convicção de que estávamos sendo vítimas das ciladas do diabo.

Por isso, esse primeiro insucesso em nossas experiências e a explicação que essa dama nos deu desgostaram-me consideravelmente, e eu com alguma consternação admiti o pensamento de ter atraído a majestade luciferiana para o meio de nós. Entretanto, depois de havermos discutido os prós e os contras das opiniões da Sra. S..., lavramos a sentença: “Não provado”, e decidimos continuar os nossos estudos e esperar maiores desenvolvimentos. Eu não sabia então, como hoje, que arma poderosa pode ser a vontade, e quanto um elemento antagônico pode ser prejudicial ao êxito dessas experiências. Tínhamos de aprender tudo isso. Mais tarde pudemos responder com um sorriso às afirmações daqueles que consideravam o diabo tão grande e Deus tão pequeno; então, éramos noviços e facilmente intimidáveis. Graças a Deus, tivemos a coragem de prosseguir e fazer maior colheita.
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