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IX
A matéria atravessa a matéria


O mistério nos fascina do que inda não conhecemos.
Nós somos como os meninos, atentos e obstinados:
As coisas com que de há muito já estamos habituados,
Que nos são familiares, com u’a mão nos prendemos;
Ao passo que com a outra nós, as trevas tateando,
Vamos firmes, resolutos, a luz do porvir buscando.


Longfellow
Por mais surpresa e perplexa que estivesse, eu não podia tão rapidamente rejeitar minhas precedentes opiniões para adotar a conclusão de meu pai. Meus amigos, o Sr. e a Sra. F..., foram informados do resultado da nossa experiência e da sua verificação. Depois de algumas discussões, ficou assentado que os nossos amigos que haviam assistido à experiência da mesa falante, atrás descrita, reunir-se-iam a uma noite por semana, durante todo o inverno, para ulteriores experiências, a fim de se ver o resultado a que chegaríamos. Éramos oito e, salvo algumas exceções, essa combinação prevaleceu. Reuníamo-nos regularmente à hora fixada, e as nossas sessões não foram, em caso algum, infrutíferas em resultado. Em certas ocasiões, pancadas distintas eram ouvidas na mesa, e por esse meio obtínhamos respostas às nossas perguntas. Também nos vinham mensagens pelas letras do alfabeto, como na nossa primeira experiência; outras vezes retirávamos as lâmpadas para tomarmos assento em plena obscuridade, e podíamos então observar relâmpagos ou nuvens luminosas flutuando por cima das nossas cabeças; outras vezes ainda, descobríamos uma espécie de luminosidade mais firme e de contornos definidos. Logo, porém, que procurávamos esclarecer-nos a respeito dessas aparições, elas desapareciam.

Às vezes colocávamos na mesa um pequeno objeto, como um anel, um prego ou uma moeda, e pedíamos que esse objeto fosse mudado de lugar por essa inteligência ou poder estranho, enquanto nossos oito pares de olhos não cessavam de vigiar. Com esse fim, um par de botões de punho foi colocado na mesa; nós os observávamos atentamente, porém eles não davam sinal algum de movimento.

Afinal, a nossa atenção foi absorvida pelas pancadas e movimentos da mesa – sempre a mesma mesa lisa, de pinho, da cozinha – e por alguns momentos deixamos de pensar nos botões. A cadeia formada pelas nossas mãos não foi quebrada, e começamos a soletrar o alfabeto para obter alguma mensagem da mesa.

Finalmente, reunidas as letras obtidas, achamos as seguintes palavras: “Procurem os botões.” Então notamos que eles já não estavam na mesa. O nosso primeiro pensamento foi o de que, em conseqüência dos movimentos da mesa, eles tinham caído no chão, e todos os procurávamos, quando novas pancadas significativas nos fizeram deter, dando-nos o pensamento de que as abotoaduras não mais se achavam na sala e sim num compartimento vizinho. Não pudemos acreditar nisso, porque a porta da sala em que nos achávamos tinha sido fechada à chave, a fim de impedir qualquer interrupção, e depois disso ninguém a tinha aberto. Teve, então, começo uma série de perguntas, cujas respostas, como se dá no muito conhecido jogo de prendas, consistiam nas palavras “sim” e “não”.

– Estão sobre uma mesa?

– Não.

– Na chaminé?

– Não.

– Dentro de algum vaso de ornamento?

– Não.

– Acham-se em algum outro lugar?

– Sim.

Afinal soubemos que estavam em um vaso de plantas, colocado junto da janela mais afastada da porta.

Dirigimo-nos todos para esse ponto, a fim de examinarmos cuidadosamente esse vaso, e uma das pessoas presentes foi, com a ponta de um lápis, afastando as folhas das plantas, enquanto as outras observavam. Entretanto, os botões não estavam ali. Era o primeiro erro que a mesa cometia e indagávamos o que nos restava fazer.

Assentamo-nos de novo, colocando as mãos sobre a mesa como anteriormente e, com solenidade, informamos a mesa de que ela havia errado, de que não se achavam os botões no vaso de plantas, e de que, por serem eles de alto valor, desejávamos sem demora conhecer-lhes o paradeiro. Depois de algumas dificuldades para pormos em ordem o nosso trabalho, foi-nos respondido que não tinha havido erro algum e que os botões estavam no lugar já indicado.

– Mas, já examinamos o vaso e não os encontramos.

– Apenas olhastes para ele, sem examinar o seu conteúdo.

Era certo; ninguém tinha olhado para o interior do vaso. Perguntando ainda qual deles devia ser examinado, dirigimo-nos ao quarto vizinho e tomamos o vaso indicado para examiná-lo. Se não me engano, a planta aí contida era um belo gerânio. A terra não mostrava indício algum de ter sido mexida, conservando-se dura e compacta; mas, removendo-a com dificuldade, vimos brilhar entre as raízes da planta os belos botões desaparecidos. Como foram eles aí ter? Como os transportaram através da porta fechada com duas voltas, fazendo-os desaparecer às nossas vistas quando nos achávamos ao redor da mesa? Não nos era possível compreender isso, e mesmo não tenho a certeza de haver algum de nós tentado fazê-lo.

Tornando para junto da mesa, aí de novo colocamos os botões e nos assentamos. Imediatamente eles desapareceram, e então nos disseram que examinássemos uma caixa japonesa que se achava numa prateleira elevada. Trepando em uma cadeira, um de nós pôde alcançar a caixa, que foi colocada na mesa para ser aberta. Ela estava fechada, e foi necessário buscar-se a chave. Finalmente, os botões foram descobertos ao lado do bule de prata aí contido. assentamo-nos de novo com os botões diante de nós, sobre a mesa, e pela terceira vez eles desapareceram instantaneamente.

Depois de longa busca e desesperados de encontrá-los, suspendemos a sessão para tomarmos uma xícara de café antes de nos separarmos. Um dos nossos amigos, indo tomar o seu café, sentiu o líquido salpicar-lhe o rosto, pela queda misteriosa dos botões dentro da sua xícara, parecendo virem do alto. Daí foram tirados com uma colher.

Para a maioria dos assistentes, segundo penso, as nossas sessões experimentais eram apenas consideradas como um passatempo, uma distração agradável, rompendo a monotonia da vida cotidiana, e a ponta de mistério que aparecia em tudo isso dava um interesse picante às nossas reuniões, o que não encontraríamos em outros divertimentos. Em cada sessão fazíamos alguma nova experiência ou aprendíamos alguma coisa de novo; por isso, em vez de nos fatigarmos, éramos impelidos a continuar as nossas reuniões. É duvidoso que qualquer de nós, por muito tempo, se tivesse ocupado do assunto com seriedade; tudo isso não era para nós mais do que uma coisa divertida, surpreendente e embaraçante. Éramos jovens, não pesávamos a vida e, além disso, folgávamos vendo um interesse comum levar seis ou oito bons amigos e amigas a se verem com freqüência.

O Sr. F... era o leitor do nossos círculo; e geralmente trazia-nos notícias do movimento espírita, notícias que recebíamos com sentimentos estranhos. No começo, estávamos todos mais ou menos dispostos a receber com incredulidade a narração dos fenômenos maravilhosos atribuídos aos Espíritos dos amigos desaparecidos, idéia que me repugnava totalmente. O movimento das mesas e cadeiras, a desaparição de anéis e botões faziam-nos pensar menos em nossos abençoados mortos do que nas proezas dos gaiatos buscando divertir-se. Os nossos mortos, como nos ensinava a nossa fé cristã ortodoxa, estavam muito distantes de nós, no mundo que nenhum olho humano pôde ainda ver, felizes nas praias benditas do mar de cristal e muito ocupados em cantar louvores ao Criador, para poderem vir à nossa velha e triste Terra com o fim de nos oferecer distrações de natureza tão absurda. Nem por um momento mesmo podíamos crer nisso. Entretanto, talvez fossem habitantes das regiões infernais, pobres infelizes rejeitados do paraíso dos eleitos. Mas, ainda aí não podíamos pôr de acordo as nossas idéias. Não obstante as manifestações serem triviais, eram inocentes e sem perigos, e certos movimentos da mesa eram tão sugestivos, tão espirituosos que seria impossível a eles resistir.

É fora de dúvida que, quando nos sentíamos abatidos ou um tanto aborrecidos, bastava que nos assentássemos à mesa durante meia hora para recuperarmos o nosso bom humor e nos tornarmos alegres e comunicativos. Algumas vezes um dos membros do círculo tocava uma peça de música, enquanto os outros formavam a cadeia ao redor da mesa com as mãos pousadas na sua superfície. No fim de poucos minutos, um movimento vibratório e ondulatório começava invariavelmente, regulando-se pelo compasso da música. Se era uma melodia doce e triste, os movimentos tornavam-se igualmente brandos e ritmados; se era uma ária animada, os movimentos apresentavam-se rápidos, vivos e decididos. Uma marcha ou um hino nacional pareciam excitar-lhe sentimentos correspondentes, se assim me posso exprimir. O hino “Yankee Doodle”, em particular, produzia efeito maravilhoso e era sempre reservado para o fim, porque os movimentos da mesa tornavam-se então quase desordenados, e geralmente éramos forçados a abandonar as nossas cadeiras para acompanhá-la em seu entusiasmo. Não havia engano possível: os movimentos, as vibrações e as ondulações da mesa exprimiam o prazer e o entusiasmo, quando se tocava esse hino. Pelo contrário, se se tocava o “God save the Queen”, a mesa claramente indicava uma certa desaprovação de mau humor, seja conservando-se tranqüila, seja fazendo ouvir fortes pancadas, seja mesmo erguendo-se do solo para depois deixar-se cair com força.

Um salmo de certa extensão parecia despertar nela a maior aversão; por isso gostávamos de fazê-lo tocar pelo nosso músico, o mais lentamente que lhe era possível. A mesa então sacudia-se, fazia contorções, voltava-se quase de pernas para o ar, variando os seus movimentos por saltos curtos e raivosos, geralmente produzidos na direção do executante, ou por violentas pancadas no chão, que com certeza teriam quebrado uma peça menos sólida. Realmente, não precisamos de muito tempo para termos a necessidade de mandar consertar essa pesada mesa de cozinha, e isto foi feito várias vezes.

Tudo isso era muito divertido, e nos alegrávamos enormemente, posto que o meu patriotismo nem sempre se conformasse com a recepção feita ao nosso hino nacional, o que, apesar da pouca importância no caso, desgostava-me algum tanto, principalmente quando, para patentear-nos a sua aversão, a mesa compassava com indolência o “Old-hundred”. Se a música desse hino era atroz, o assunto era religioso e o meu coração protestava vendo-o tratado de maneira tão frívola, ainda que ninguém mais do que eu achasse graça nessa pilhéria. Às vezes cantávamos e então éramos sempre acompanhados por um movimento compassado ou por pancadas na mesa.

Muitos processos foram experimentados para facilitar-se a transmissão das mensagens por meio de pancadas. O alfabeto foi escrito sobre a mesa, e um indicador, adaptado a uma espécie de torniquete, tinha por fim apontar as letras; esse sistema, porém, não nos agradou, pois os movimentos eram incertos e as mensagens pouco satisfatórias.

Além disso, essas mensagens eram sempre recebidas com uma boa dose de cepticismo, por causa da mistificação de que dois dentre nós haviam sido vítimas.

Um dia, longa mensagem em francês foi ditada por pancadas e exatamente anotada. Pediam que escrevêssemos a uma Sra. Poltan ou Poetan, residente nas vizinhanças do Havre, informando-lhe ter se afogado o seu filho João; deram-nos a data e o lugar em que essa desgraça acontecera.

Um dos membros de nosso círculo procurou escrever à dama com o endereço indicado e transmitiu-lhe a mensagem por uma carta cuidadosamente redigida; depois, ninguém ouviu falar do fato. A carta não foi devolvida, mas isso não prova que tivesse ido às mãos da dama em questão; e, ainda que ela tivesse sido entregue a alguma pessoa desse nome, residente no lugar, isso não nos provaria a exatidão do fato. De qualquer modo, nada soubemos nem tivemos notícia alguma da mensagem tão conscienciosamente obtida.

Mais de uma comunicação duvidosa nos foi pelo mesmo modo transmitida, porém reconheceu-se serem falsas ou estarem fora dos limites das provas de que podíamos dispor. Afinal, abandonamos esses ensaios e limitamo-nos à sua leitura, para julgá-las conforme o seu valor e guardá-las.

Havia realmente um contraste frisante entre essas comunicações falsas e duvidosas e as que tivemos a respeito de meu pai e do que a ele se referia, cuja veracidade foi reconhecida em todos os seus detalhes. Foi graças a essa semente de verdade que começamos as nossas experiências com o desejo de obter mais, e fomos impelidos a continuá-las, apesar dos desânimos que nos vinham das mensagens enganosas. Ao mesmo tempo, eu principiava a achar isso muito embaraçante e a perguntar a mim mesma o que daí resultaria.
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